O TABACO E O ÁLCOOL SÃO OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO NO DESENVOLVIMENTO DO CANCRO ORAL

 

O tabaco e o álcool são os principais fatores de risco no desenvolvimento do cancro oral

 

A propósito do Dia Mundial sem tabaco que se comemora a 31 de maio




 O fumo do tabaco está relacionado com diversas transformações na mucosa oral e tem um efeito carcinogénico direto nas células epiteliais. Calcula-se que 8 em cada 10 doentes diagnosticados com cancro oral consumam ou tenham consumido tabaco, tendo estes doentes um risco 5 a 7 vezes superior de desenvolverem cancro oral quando comparados com não fumadores. O cancro oral está, portanto, fortemente associado a um estilo de vida menos saudável, isto é, ao consumo de tabaco e álcool, associado a uma reduzida ingestão de vegetais e frutas e por isso pobre em alimentos contendo agentes antioxidantes.

 

Os carcinomas da cavidade oral podem manifestar-se como uma mancha, de cor variável, geralmente branca ou avermelhada, uma massa mais ou menos endurecida ou uma úlcera que não cicatriza. A maior parte das lesões são indolores na sua fase inicial, tornando- se progressivamente dolorosas. São exemplo de sinais e sintomas:
úlceras persistentes, áreas endurecidas, áreas de crescimento tecidular, lesões que não cicatrizam, mobilidade dentária, dor, parestesia (perdas de sensibilidade), disfagia (dificuldade em deglutir), lesões brancas e vermelhas, linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados).

 

O cancro oral trata-se essencialmente com cirurgia e radioterapia, isoladas ou combinadas. O fator chave para o tratamento é o diagnóstico precoce das lesões, fator que melhora significativamente as taxas de sobrevivência à doença.

Apesar dos avanços ocorridos nos últimos anos no diagnóstico e tratamento do cancro oral este continua a ter uma taxa de mortalidade bastante elevada. Estima-se que cerca de 6 em cada 10 doentes de cancro oral morram nos 5 anos após a data do seu diagnóstico. O insucesso parece estar ligado ao facto de grande parte dos casos não serem diagnosticados atempadamente.

A prevenção do cancro oral passa por:
•     adoção de um estilo de vida saudável;
•     cessação do consumo de tabaco;
•     diminuição do consumo de álcool;
•     consumo regular de vegetais frescos e frutas como fator protetor;
•     visitas regulares ao médico dentista que permitam que tais lesões sejam diagnosticadas nas suas fases mais precoces.

 

Na consulta de rastreio de cancro oral o médico dentista procede a um exame visual de todas as estruturas orais (lábios, língua, gengivas, palato, bochechas, pavimento da boca, etc.) bem como das estruturas anexas à cavidade oral (ex.: glândulas salivares, pescoço). A palpação das estruturas orais e periorais é também efetuada para detetar eventuais aumentos de volume e áreas endurecidas. Podem ainda ser solicitados exames complementares de diagnóstico (ex.: radiografias).

•     O cancro oral é o 6º cancro mais comum em todo o mundo;
•     Os principais fatores de risco são o tabaco e o álcool;
•     Surge de uma forma assintomática, persistindo uma lesão por um tempo indeterminado, só se tornando dolorosa tardiamente;
•     O índice de mortalidade do cancro oral é elevado;
•     A chave para o seu tratamento é um diagnóstico atempado;
•     O risco de desenvolver um cancro na cavidade oral diminui com os anos de cessação tabágica. Após 15 anos da cessação, o risco aproxima-se dos valores de um não fumador.

 O seu médico dentista é o profissional de saúde responsável pelo estudo, prevenção, diagnóstico e tratamento das anomalias e doenças dos dentes, boca, maxilares e estruturas anexas.

 

Adaptação da Revista online HEALTHNEWS, Dr. Ricardo Maia, médico dentista na Clínica Santa Madalena, 27/3/2023

 

 UCC Colina, maio de 2023